sábado, 3 de março de 2012

Pulgas do Jurássico eram ‘gigantes’ e não saltavam

Parasitas ancestrais atingiam 20 milímetros e tinham a boca em forma de sifão

Os antepassados das pulgas atuais foram descobertos por cientistas franceses na China, revela a revista Nature. Tratam-se de parasitas 'gigantes' que não saltavam.

A equipa de André Nel, entomólogo do Museu de História Natural de Paris, encontrou nove fósseis nas províncias chinesas de Daohugou, Mongólia Interior e Liaoning, que datam de duas épocas diferentes: do Jurássico Médio e do Cretáceo Inferior. A descoberta revela que, numa altura em que a Terra era habitada por dinossauros e grandes répteis, as pulgas eram também maiores do que as que existem hoje. O corpo das fêmeas podia medir entre 14 e 20,6 milímetros e o dos machos 8 a 14,7 milímetros.

As dimensões atuais oscilam entre 0,8 e 5 milímetros, em média 3,5 milímetros. Porém, ao contrário das pulgas modernas, as ancestrais não saltavam. O traço mais surpreendente das pulgas 'gigantes' é a sua boca, em forma de sifão, com a qual perfuravam a pele de répteis como os dinossauros e, numa época posterior, a de mamíferos e aves, sugando depois o seu sangue.

As características das pulgas antigas sugerem aos investigadores que estes parasitas evoluíram a partir da mosca-escorpião, uma espécie voadora que viveu no Cretáceo Inferior: tinha uma boca para se alimentar do néctar das flores, tendo-se extinguido com o aparecimento de insectos modernos como os mosquitos e as formigas. Segundo o investigador francês André Nel, à medida que os grandes dinossauros se extinguiram, desapareceram também as pulgas "gigantes", com as atuais pulgas a desenvolverem-se no Cretáceo Tardio, a par dos mamíferos. No entanto, continua a ser uma incógnita o motivo da diminuição do tamanho das pulgas.

A descoberta de fósseis de pulgas é rara, já que os vestígios de ectoparasitas (insectos como pulgas e piolhos que vivem sobre a pele das suas vítimas) são pouco abundantes, o que dificulta a investigação das suas origens na era Mesozóica (entre 251 milhões e 65,5 milhões de anos).


In: www.cienciahoje.pt


quinta-feira, 1 de março de 2012

Estudo da UP altera o que se conhecia sobre formação de galáxias

 Observações precisas à galáxia anã I Zw 18 podem corrigir atuais modelos

O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), acaba de revelar que a galáxia anã I Zw 18 poderá levar à correção dos atuais modelos de formação de galáxias.

A descoberta foi realizada pelo astrónomo Polychronis Papaderos, que usou o telescópio espacial Hubble para obter observações extremamente precisas desta galáxia com forte atividade de formação estelar mas pobre em elementos pesados.

A análise dos dados demonstrou que a galáxia I Zw 18 tem um extenso halo de gás, sem qualquer estrela, cerca de 16 vezes mais extenso do que a componente estelar da galáxia. Este resulta da grande quantidade de energia libertada pelo surto de formação estelar pelo qual a I Zw 18 está a passar. Toda essa energia aquece e perturba o gás frio existente na galáxia, que emite uma quantidade de luz comparável à emitida por todas as estrelas da galáxia – a emissão nebular.

Segundo Polychronis Papaderos, o trabalho é inovador porque "dá a primeira prova observacional que as jovens galáxias, que passaram por surtos de formação estelar no início do Universo, deverão ter estado envolvidas num enorme halo de emissão nebular. Este halo extenso é aquecido pela imensa energia de milhares de estrelas massivas, que se formaram durante o surto, e que rapidamente explodem como supernovas”.

A proximidade da galáxia I Zw 18 à Terra, conjugada com um tempo total de observação de quase três dias, permitiu obter dados com uma resolução e sensibilidade sem precedentes. Até agora, para as galáxias mais distantes, onde não é possível atingir a resolução necessária para distinguir entre a emissão do gás e das estrelas, assumia-se que o gás ocupava a mesma região que as estrelas e que estas últimas eram responsáveis por emitir quase toda a luz observada.

No entanto, este estudo publicado no último número da revista Astronomy & Astrophysics mostrou que as galáxias que estão a atravessar um surto de formação estelar, à semelhança da I Zw 18, podem não obedecer a esta regra. Esta conclusão pode levar a correções significativas em muito do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em astronomia extragalática e cosmologia. Um exemplo disto é o cálculo da massa correspondente a estrelas numa galáxia, que é estimada a partir da luminosidade total. Tal como estes resultados demonstram, até 50 por cento dessa luminosidade pode corresponder à emissão nebular, e não a estrelas.

Outro dos resultados obtidos no trabalho de Polychronis Papaderos da CAUP mostra que “a distribuição da emissão nebular pode ser confundida com um disco de estrelas, o que pode resultar em classificar erradamente a galáxia, ainda em formação, como uma galáxia já totalmente formada”, explica o astrónomo.

Para além disso, a investigação têm também uma grande importância para o que se sabe sobre a atual formação de galáxias, pois concluiu que a I Zw 18 é extremamente jovem e está, neste momento, a passar pela fase dominante de formação estelar, à semelhança das que se formaram logo a seguir ao Big Bang.


Estação permanente mede radiação atmosférica nos Açores

O programa ARM foi lançado em 1990 pelo Departamento de Energia dos EUA


A ilha Graciosa vai ter em permanência uma estação para medição da radiação atmosférica, no quadro do projecto internacional promovido pelo Departamento de Energia dos EUA que visa a previsão do tempo e o estudo do clima.

“A estação vai permanecer de um modo fixo na Graciosa, o que é uma garantia para que a Universidade dos Açores possa também alargar a investigação e pesquisa e recolher elementos científicos que são bons para os Açores em termos de climatologia”, segundo afirmou José Contente, secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, no final de um encontro, em Ponta Delgada, com Kim Nitschke, do Departamento de Energia dos EUA, em que também participou o secretário regional da Presidência, André Bradford.

Instalada na ilha Graciosa em 2009, no âmbito do quadro do programa ARM (Atmospheric Radiation Measurement), a estação tem funcionado de forma experimental, mas ganhou agora o estatuto de permanente. A decisão envolve um investimento de 14 milhões de dólares que será suportado pelas autoridades norte-americanas, a que se associa o Governo Regional e a Câmara de Santa Cruz da Graciosa ao nível das facilidades de instalação e, eventualmente, na construção de algum edifício contíguo que possa funcionar como centro de divulgação da infra-estrutura e receção de cientistas ou investigadores.

A conclusão do processo que permitirá operacionalizar a estação deverá acontecer, segundo André Bradford, "no verão de 2013", devendo a estação permanente ficar localizada "na mesma área onde estava a estação móvel".

O programa ARM foi lançado em 1990 pelo Departamento de Energia dos EUA, tendo a estação da Graciosa sido instalada no início de 2009 para aproveitar a localização estratégica dos Açores e a sua centralidade no Atlântico Norte. Os dados recolhidos ao longo dos seus 16 meses de funcionamento permitiram criar a primeira estrutura climatológica vertical detalhada de nuvens baixas numa zona marinha subtropical.

A Graciosa foi escolhida como um dos cinco locais do mundo envolvidos no programa ARM para promover o aprofundamento da investigação do sistema estratiforme de nuvens de baixa altitude sobre os oceanos subtropicais. A sua baixa representação nos modelos climáticos, segundo os especialistas, causa grandes incertezas nas previsões de alterações climáticas.

A importância da estação açoriana resulta do fato de 70 por cento do planeta estar coberto por oceanos e, consequentemente, as nuvens marinhas serem o tipo mais comum de nuvens no mundo. A Graciosa, situada em pleno Atlântico, possibilita a oportunidade de realizar importantes observações de mais longa duração sobre as nuvens marinhas, sendo as medições recolhidas nesta estação usadas pelos cientistas para testar e validar simulações em computador.

Diminuição de gelo no Árctico interfere com Inverno do Hemisfério Norte

Alterações na região fazem aumentar queda de neve nos últimos anos

A redução do gelo no Oceano Ártico devido ao aquecimento global poderá explicar a neve e o frio acima do habitual dos invernos dos últimos anos em certas partes do Hemisfério Norte, sustentam cientistas norte-americanos.

As conclusões do estudo realizado por vários investigadores, entre os quais a presidente da Escola das Ciências Atmosféricas no Instituto de Tecnologia da Geórgia, e principal autora da comunicação, Judith Curry, foram divulgadas ontem, precisamente na página online daquele instituto. O estudo está publicado na «PNAS».

Desde que a superfície do gelo caiu para um nível recorde em 2007, quedas de neve nitidamente mais abundantes do que o normal foram observadas em vastas regiões. Nos invernos de 2009/2010 e 2010/2011, o hemisfério Norte registou as suas segunda e terceira mais fortes acumulações de neve, nos seus registos.

“Enquanto a região do Ártico tem aquecido nas décadas mais recentes”, escrevem os cientistas, “uma queda de neve anormal tem afetado os invernos de grande parte da América do Norte, Europa e Ásia Oriental”.

Neste trabalho, dizem, “demonstramos que a diminuição da área de gelo no Outono Ártico está ligada às mudanças na circulação atmosférica do Hemisfério Norte no Inverno”.

Os dados recolhidos, de 1979 – início das observações por satélite – até 2010, mostram uma diminuição de um milhão de quilómetros quadrados da superfície do gelo no Oceano Ártico no Outono, o que representa 29,4 por cento da sua superfície e equivale a duas vezes a da França, especificaram os cientistas.

Artigo: Impact of declining Arctic sea ice on winter snowfall, in www.cienciahoje.pt

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Animal mais profundo do mundo é um insecto sem asas nem olhos

Plutomurus ortobalaganensis (Crédito: Ana Sofia Reboleira)

Espécie foi encontrada pela bióloga portuguesa a dois mil metros de profundidade

Na gruta mais funda do mundo, Ana Sofia Reboleira descobriu cinco novas espécies de insectos, o escaravelho Catops cavicis e quatro colêmbolos: Anurida stereoodorata, Deuteraphorura kruberaensis, Schaefferia profundissima e Plutomurus ortobalaganensis. Este último é o animal terrestre mais profundo de sempre ao ser descoberto a uma profundidade de 1980 metros abaixo da entrada da cavidade.

“Num ambiente aparentemente abiótico, como são as grandes profundidades cavernícolas, onde a luz do sol jamais entra e onde os recursos alimentares são extremamente escassos e as temperaturas muito baixas, é realmente notável encontrar-se vida”, revela a bióloga portuguesa ao Ciência Hoje.
A descoberta resulta da expedição ibero-russa de Verão do CAVEX Team em 2010 à cavidade Krubera-Vorónia, localizada na Abcásia, uma área remota perto do Mar Negro, nas montanhas do Cáucaso Ocidental.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A «Flora» está «On» a partir de 25 de Fevereiro

Base de dados "permite a qualquer um orientar-se no mundo da botânica"

A 25 de Fevereiro é lançada uma base de dados interativa com um interface de pesquisa fotográfico, geográfico e morfológico da flora portuguesa.


O «Flora-On» está a ser desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Botânica e procura ter uma abordagem inovadora à disponibilização e pesquisa da informação da flora para todo o público.

O projeto pretende “tornar simples e intuitivo o acesso à informação de toda a flora de Portugal”, explica Miguel Porto ao Ciência Hoje.

Segundo o botânico, “o problema principal que distancia o público em geral das plantas não é apenas a falta de informação” mas o facto de não ser fácil de encontrar o que se procura e “muitas vezes também não é fácil compreender o que se encontra”.

Miguel Porto considera que para além da informação estar “em geral dispersa”, “não existe nenhuma ferramenta que seja suficientemente intuitiva que permita a qualquer pessoa orientar-se no mundo da botânica sem que tenha de conhecer uma panóplia de termos técnicos que assustam à partida”.

É neste âmbito que o «Flora-On» pretende revelar-se importante. “Sem desprimorar o rigor da informação, tentamos simplificar a busca para que o sucesso da pesquisa seja maximizado”, sublinha o investigador.

Para saber o nome de uma planta, exemplifica Miguel Porto, basta descrever por palavras aquilo que se consegue observar ou em que tipo de habitat ou local foi encontrada. Se o utilizador não sabe como há-de descrever a planta pode usar o interface de identificação interativa que o orientará pelo caminho mais rápido para chegar à espécie que procura.

O «Flora-On» é um projeto que estará em constante atualização. A partir de amanhã haverá informação para cerca de 1500 espécies mas “a meta final será incluir informação de todas as espécies nativas e naturalizadas de Portugal Continental e Ilhas dos Açores e Madeira”, avança Miguel Porto.

A ser desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Botânica desde há dois anos através do trabalho voluntário de vários colaboradores, o projeto lança o desafio para que mais pessoas e instituições científicas possam contribuir para o seu desenvolvimento.

Susana Lage in www.cienciahoje.pt

O CCAH tem novo laboratório


O Centro de Ciência de Angra do Heroísmo possui agora um laboratório todo equipado para novas experiências e atividades.




O laboratório é a primeira de duas fases do projeto para a nova exposição principal do CCAH Intitulada "Volta à Física em 60'" que estará pronta em Junho do corrente ano.



Este projeto está a ser realizado pela equipa da Fábrica - Centro de Ciência Viva de Aveiro e financiado pela Direção Regional de Ciência, Tecnologia e Comunicações.



Já está montado e estamos a aceitar marcações para grupos. Basta entrar em contacto com a equipa do CCAH e vir conhecer as fantásticas experiências que temos para o nosso público.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Palestra Astronomia "+ Luz"

Realizou-se no CCAH no passado Domingo, 19 de Fevereiro, a palestra intitulada "A procura de planetas habitáveis fora do Sistema Solar". Seguem-se algumas imagens da palestra.






Descoberta de novo planeta



http://www.publico.pt/Sociedade/telescopio-da-nasa-descobre-nova-classe-de-planeta-com-mais-agua-que-a-terra-1534786

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Bom Carnaval!


A equipa do CCAH deseja a todos um Carnaval muito feliz!



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Portugueses descobrem ser vivo mais antigo à face da Terra

Crescimento da planta é lento e 
pode levar 600 anos a cobrir 80 quilómetros.

Uma equipa científica luso-espanhola acaba de revelar a descoberta, no Mar Mediterrânico, do ser vivo mais velho da Terra, uma planta marinha que terá pelo menos 100 mil anos, segundo disse hoje uma das autoras da investigação. A descoberta foi publicada na semana passada na revista «Public Library of Science One» (PloS One) e refere-se a um trabalho científico que decorreu entre 2005 e 2009, tendo por objecto a Posidónia oceânica.

“Descobrimos espécimes da Posidónia oceânica que poderão ter entre dez mil e 100 mil anos e possivelmente mais. Nunca se tinha encontrado na Terra um ser com uma idade tão avançada”, garantiu a investigadora Ester Serrão, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, que liderou a equipa portuguesa.  O trabalho científico tinha como objectivo medir a área abrangida por um mesmo indivíduo daquela espécie, de forma a calcular a sua idade, com base no conhecimento de que a taxa de crescimento da espécie é de quatro centímetros ao ano.

fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=53037&op=all

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Investigadores recriam canto de grilo do Jurássico

Cientistas tiveram em conta o ambiente acústico daquele período e local 





Não é fácil reconstruir comportamentos de espécies de animais já extintas, “principalmente no que se refere à natureza e origens da comunicação acústica”. Mas num estudo publicado agora na «Proceedings of the National Academy of Sciences» (PNAS), uma equipa de cientistas revela como seria o canto do Archaboilus musicus, um extinto Tettigoniidae (um tipo de grilo) que viveu durante o Jurássico, há 165 milhões de anos.

A investigação, que envolveu equipas chinesas, britânicas e norte-americanas, baseou-se na análise de vários fósseis “excepcionalmente bem conservados”. A partir da morfologia do seu aparelho estridulatório (que emite sons a partir da fricção de partes do corpo) e na comparação filogenética com 59 espécies atuais foi possível recriar o som.

A espécie jurássica, batizada como Archaboilus musicus, que habitou o que hoje são as florestas da China e da Mongólia, media sete centímetros e produzia um som para atrair as fêmeas para o acasalamento através do movimento das asas, semelhante ao que acontece com as espécies atuais.

Os investigadores tiveram em conta o ambiente acústico daquele período e local, onde existiam muitos animais que emitiam sons ao mesmo tempo.

Chegaram à conclusão que o primitivo grilo emitiria frequências simples e puras. Através da estridulação, dava a conhecer às fêmeas a sua posição e a sua capacidade física. Estas poderiam atender ou não à chamada.

Seguindo princípios biomecânicos descobertos há alguns anos, Fernando Montealegre-Zapata, da equipa de Bristol, descobriu que esse grilo tinha um tom agudo com uma frequência de 6.4kHz e que cada episódio de canto durava 16 milésimos de segundo. Esta informação foi suficiente para reconstruir o canto.

A análise paleobioacústica forneceu também uma perspectiva única sobre a ecologia do inseto extinto. Os investigadores escrevem que a sua comunicação estava perfeitamente “adaptada ao ambiente desordenado da floresta de coníferas e fetos gigantes do Jurássico Médio, onde répteis, anfíbios e mamíferos insetívoros teriam também ouvido o seu canto”.

Artigo: Wing stridulation in a Jurassic katydid (Insecta, Orthoptera) produced low-pitched musical calls to attract females

Fonte:www.cienciahoje.pt

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

IBMC descobre mecanismo que trava divisão celular

Estudo poderá levar a novas terapias em doentes de cancro

Uma equipa de investigadores do Instituto de Biologia e Medicina Molecular (IBMC) descobriu uma forma de impedir a proliferação celular e “apesar de não se tratar de uma medida terapêutica, o estudo poderá levar a futuras terapias” para situações de descontrolo da divisão celular, como é o caso do cancro, segundo avançou Hélder Maiato, responsável pelo grupo de trabalho, ao «Ciência Hoje». O estudo foi publicado na edição ‘online’ desta semana da revista «Nature Cell Biology» e já valeu o prémio Pfizer de Investigação Básica à equipa.

O investigador explica que a divisão se realiza normalmente através de um processo de bipolaridade celular, ou seja, o material genético sob a forma de cromossomas separa-se de um modo equivalente para dois polos definidos ao longo do eixo de divisão, constituindo o fuso mitótico, mas “por várias razões, o caracter bipolar pode ser quebrado e este pode adquirir um carácter multipolar, originando uma distribuição desigual do material genético e associada a vários tipos de cancro”.

Em divisões multipolares as células conseguem “iludir” os mecanismos de controlo de qualidade agrupando os vários polos num fuso bipolar, permitindo a sobrevivência e transmissão do genoma cancerígeno. Agora, “o novo mecanismo tenta evitar o carácter irreversível e causar a morte celular”, continua. A investigação vem provar que determinadas proteínas, as CLASPs, podem ser utilizadas como alvos para inviabilizar células em divisão.

Entre células anormais
Geralmente, uma célula anormal – derivada de cancro – assume um fuso multipolar (com mais de dois pólos) e muitas vezes conseguem reorganizar-se de forma a tornarem-se novamente bipolar. Em cada um dos polos será reorganizada uma célula filha e ambas deverão possuir a mesma informação genética da célula que lhes deu origem. Segundo Elsa Logarinho, uma das autoras do trabalho, refere em comunicado, “é muito importante que este fuso esteja correctamente formado e mantenha o seu carácter bipolar” uma vez que é ele quem garante a igual “divisão dos cromossomas entre as células filhas”, acrescentou ainda.

Segundo a investigação, as CLASPs estão envolvidas na estruturação do fuso mitótico bipolar durante a divisão. Neste estudo os autores mostram que quando a função das CLASPs é afectada, impede-se a capacidade de células cancerígenas agruparem os múltiplos polos num fuso bipolar, tornando o processo irreversível. Neste caso, as células cancerígenas filhas não conseguem sobreviver. Por isso, “Se, em teoria, conseguirmos remover as CLASPs apenas nas linhagens de células cancerígenas, por exemplo, poderemos impedir que tumores continuem a proliferar”, continuou Hélder Maiato.

A equipa do IBMC demonstrou que “motores” localizados nos próprios cromossomas, ao actuarem sobre o fuso mitótico, podem levar à fragmentação irreversível dos seus polos. Segundo o investigador, “em termos conceptuais, em biologia, este estudo confere aos cromossomas, geralmente entidades passivas, um papel activo na determinação da arquitectura do fuso mitótico – o que causa esta multiplicação irreversível”.

Agora, “o desafio está em direccionar a abordagem experimental e a função das CLASPs para um tecido ‘in vivo’, já que este estudo foi realizado em cultura de células em laboratório”, concluiu Hélder Maiato.

Curso Infosénior III

     
O CCAH apresenta a terceira edição do curso de introdução informática para séniores. Esta edição surge no contexto de dar seguimento às primeiras edições de carácter iniciativo e apostar numa vertente mais prática e dinâmica.


O curso tem início a 13 de Março.


Requisitos para inscrição: possuir noções básicas de informática.

As inscrições já se encontram abertas, contactem-nos. Daremos prioridade aos alunos das primeiras edições.

Poluição sonora nos oceanos prejudica as baleias

Foram medidos os níveis de stress destes cetáceos com e sem tráfego marítimo

O barulho de origem humana que percorre os oceanos – como os motores dos grandes navios – provoca stress nas baleias ao dificultar a sua comunicação. Já há algum tempo os investigadores acreditavam que esta teoria tinha fundamento, mas só agora, e graças a um método pouco convencional, onde o ‘acaso’ teve um papel determinante, foi possível prová-la.

O curioso estudo, que liga os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque a uma investigação sobre fezes de baleias na Baía de Fundy (na costa atlântica da América do Norte), está agora publicado no «Proceedings of the Royal Society B».

Em 2001, a investigadora e veterinária Roz Rolland, do Aquário de Nova Inglaterra, em Boston, estava a recolher fezes de baleias-francas na Baía de Fundy, no Canadá, com a ajuda de um rottweiller, capaz de as detectar sobre as águas.

O objectivo era realizar testes de gravidez e estudar a reprodução dos animais. Mas as fezes, além de indicarem se a baleia está grávida, revelam também os seus níveis de stress. No dia 11 de Setembro de 2001, o atentado ao World Trade Center de Nova Iorque provocou uma diminuição drástica do tráfego marítimo na costa norte atlântica da América do Norte.

Pela primeira vez foi possível estudar as variações das hormonas de stress durante a redução de barulho no oceano. Em geral, o ruído diminuiu seis decibéis (com uma redução significativa das baixas frequências) e os níveis das hormonas do stress das baleias também. Este resultado sugere que o ruído provoca stress crónico nestes cetáceos.

As baleias utilizam sons de baixa frequência para comunicarem. Quando o ruído aumenta, as baleias alteram o seu comportamento e as suas vocalizações.

A contaminação acústica dificulta a capacidade de comunicarem entre si, aumentando o stress. Este pode interferir com os seus sistemas imunitário e reprodutivo. Existem apenas 475 baleias-francas no noroeste Atlântico e as suas taxas de reprodução são mais baixas do que as das baleias francas que passam o verão na Antárctida. O stress provocado pelo ruído pode ser uma das razões.

Roz Rolland acredita que a poluição sonora nos oceanos deve ser motivo de preocupação, tal como os desperdícios sólidos. Não são apenas os barcos que fazem barulho, adverte. As explorações de petróleo e de gás e os parques eólicos emitem também sons de baixa frequência que podem afectar estes cetáceos.

Artigo: Evidence that ship noise increases stress in right whales

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Palestra - A Procura de Planetas Habitáveis fora do Sistema Solar


+LUZ é o nome dado ao Ciclo de Palestras sobre Astronomia organizadas pelo OASA - Observatório Astronómico de Santana - com o apoio do Governo Regional dos Açores. A Palestra A Procura de Planetas Habitáveis Fora do Sistema Solar faz parte desse ciclo e será apresentada dia 19 de Fevereiro pelas 16H00 pelo Dr. Vasco Neves no Centro de Ciência de Angra do Heroismo - Observatório do Ambiente dos Açores.

Todo o público em geral está convidado a assistir!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Crustáceo super-gigante descoberto na Nova Zelândia




Numa expedição a um dos lugares mais profundos do oceano, na Nova Zelândia, uma equipa de cientistas encontrou, a sete mil metros, um anfípoda (crustáceos sem carapaça) gigante. Normalmente, estes crustáceos de águas profundas medem entre dois e três centímetros. 
A maior espécie que se conhecia vive na Antárctica e chega aos dez centímetros.
O que foi capturado agora pela equipa do Oceanlab (Universidade de Aberdeen, Reino Unido) e do National Institute of Water & Atmospheric Research (NIWA, Nova Zelândia) bate todos os recordes: mede 28 centímetros, quase dez vezes mais do que os anfípodas comuns. Os investigadores conseguiram ainda filmar outro gigante de 34 centímetros. 


http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=52868&op=all

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Curso de Astrofotografia no CCAH

Visite o blog do formador : http://astroatlantico.blogspot.com/

Informamos, a todos os interessados, que as inscrições para o Weekend Técnico de Astrofotografia (formador: João Porto), que decorrerá nas instalações do Observatório do Ambiente dos Açores de 25 a 27 de Maio de 2012, já estão abertas!

Preencha a sua ficha de inscrição disponível em http://oaa.centrosciencia.azores.gov.pt/actividade/curso-weekend-t%C3%A9cnico-de-astrofotografia e reenvie-nos através do e-mail cc.angraheroismo@azores.gov.pt.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Encontrado o vertebrado mais pequeno do mundo

Rã de 7,7 milímetros é originária da Papua-Nova Guiné

Uma rã da família Paedophryne, originária da Papua-Nova Guiné e que mede apenas 7,7 milímetros, é o vertebrado mais pequeno do mundo, revela a revista científica PLoS One.

A descoberta foi realizada por investigadores da Universidade Estatal de Luisiana, EUA, quando fizeram uma expedição de três meses à ilha da Papua-Nova Guiné, um dos maiores centros de biodiversidade tropical do planeta.
A equipa encontrou duas rãs da família Paedophryne e batizou a mais pequena como Amauensis paedophryne, em homenagem ao povo da Papua-Nova Guiné.

A Amauensis paedophryne retirou o título de vertebrado mais pequeno do mundo ao peixe Paedocypris progenetica, localizado na Indonésia e com oito milímetros de comprimento.

Dos mais de 60 mil vertebrados conhecidos, o maior é a baleia azul, que mede mais de 25 metros.
 
In: www.cienciahoje.pt

Parque de Ciência e Tecnologia de S. Miguel abre em 2013

A NONAGON resulta de uma parceria entre o Governo dos Açores e a Câmara da Lagoa


O secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, José Contente, revelou hoje que já existem empresas interessadas em fixar-se no Parque de Ciência e Tecnologia de S. Miguel, nos Açores, que deve abrir em 2013.

"Há muitas entidades que manifestaram interesse em fixar-se no parque, entre as quais a PT, Microsoft e a YDreams, só para falar em algumas mais conhecidas", afirmou José Contente em declarações aos jornalistas no final da assinatura da constituição da Associação NONAGON, que vai gerir esta infraestrutura, em construção no concelho da Lagoa.
Para José Contente, "a partir de agora, a associação tem todos os instrumentos para potenciar a vinda de mais entidades que tenham de facto interesse em investir nos Açores e desenvolver esta cultura científica e tecnológica".

A NONAGON resulta de uma parceria entre o Governo dos Açores e a Câmara da Lagoa e, segundo José Contente, "pode começar a trabalhar" para cativar entidades da área da ciência, tecnologia, observação da terra, mar e espaço.
O secretário regional afirmou que a obra "estará concluída dentro de um ano", acrescentando que "todo o trabalho de captação de empresas tem de estar feito aquando a sua abertura". 


In: www.cienciahoje.pt